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Bem-vinda(o) à MarMel visualARTS do premiado artista Ton MarMel que desde infante manifestou dotes para pintura, desenho, escultura, frequentou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, participou de dezenas de salões, exposições no Brasil e exterior, é Doutor em Direito Público que tem a missão de oferecer conhecimento, obras e serviços de excelência com criatividade, segurança e eficiência. 


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Técnica










A RAZÃO DA EMOÇÃO NA TÉCNICA DE TON MARMEL



Isabell Sanches entrevista hoje Ton MarMel, jurista pós-graduado em direito público e artista visual detentor de diversos prêmios.



Ton Marmel fique a vontade para nos fazer conhecer um pouco de seus trabalhos. Receba as boas vindas e sinta-se querido por esse espaço que lhe és cedido.



Isabell Sanches: Onde e quando surgiu Ton Marmel?

Em verdade, Ton MarMel é abreviatura, apelido e logotipo nascido do próprio nome de registro civil “anTONio MARtins MELo” quando dos primeiros trabalhos artísticos, por necessidade de uma assinatura pessoal e identidade visual face a grande quantidade e diversidade de trabalhos que sempre se produziu, desde os primeiros anos de infância, quando se manifestaram os primeiros traços de criatividade em desenhos e pinturas detectados por professores ainda no jardim de infância.



Posteriormente, por quando do primeiro e segundo graus escolares, houveram dezenas de participações em salões de artes de âmbito local e nacional, exposições individuais e coletivas em Brasília-DF, Goiânia-GO, Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP e algumas no exterior, quando os trabalhos passaram a constar de catálogos e acervos de algumas instituições, a exemplo do Instituto Cultural Itaú-SP, MAB- Museu de Arte de Brasília, BNB- Biblioteca Nacional, Congresso Nacional, embaixadas e representações diplomáticas sediadas em Brasília.



Isso, ocorreu com frequência até época do vestibular. Na ocasião da escolha do curso superior não havia dúvida quanto ao curso acadêmico a ser cursado, que seria artes plásticas, inicialmente. Contudo, o retorno financeiro que o futuro docente de artes iria auferir no Brasil era desanimador, pois professor ganhava muito mal. Então, como a habilidade artística era algo natural, que não dependia de formação acadêmica, pois a formação acadêmica apenas iria enriquecer e acrescentar àquilo que já era natural e profissional, resolvi ingressar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo em São Paulo embalado pelos sonhos de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.



Sucede que, como a situação econômica do país era muito instável, ao concluir o curso de arquitetura e urbanismo, a boa situação na construção civil, inicialmente, havia mudado, e um novo quadro de recessão e desânimo na construção civil se instalou e poucas eram as obras em andamento; resultando disso, o meu ingresso na Faculdade de Direito do Distrito Federal como alternativa financeira para sobrevivência mais confortável. Fatos esses que jamais afastaram ou impediram o constante exercício das artes visuais.



Ao decidir pintar o que te inspirou?

Veja bem, eu não escolhi nem decidi pintar como algo pensado. As várias técnicas de expressão artística foram aparecendo naturalmente na medida em que trabalhava, se sucediam como novas experimentações. Minha iniciação se deu pelo desenho e o desenho trouxe à pintura; a pintura trouxe à escultura, e a escultura se manteve com meio único de expressão durante muito tempo. Posteriormente, devido a falta de espaço, facilidade de adaptação e disponibilidade de tempo, a pintura retornou, e atualmente há até investidas em cinema de animação. Mas, o meio material de expressão nunca foi único e exclusivo, ou o mais importante na arte. Aliás, o suporte, o meio material de expressão sempre foi secundário, e todos são válidos, pois o importante é o conteúdo, a mensagem, e não a mera aparência que o objeto artístico possa possuir para integrar e compor um ambiente como mais um detalhe e acessório de decoração.



Mas, o que inspirou? O que inspira? O que move-me e demove-me a utilizar meios artísticos de expressão? É uma pergunta que não tem resposta imediata. Afinal, como justificar o porquê de se gostar de “A’ e não de “B” ou de “C”?! Sem dúvida, a emoção associada a temas sociais diversos são identificações e temáticas constantes na minha produção, mas as identificações temáticas são os canais que todos temos para dar vazão ao conteúdo emocional e intelectual de alguma coisa, que foram impulsionados por alguma força, por alguma razão, e esse motivo é que não se consegue traduzir com precisão em palavras. Afinal, assim como a energia elétrica e o vento, a inspiração existe, e embora não possa ser tocada ou vista inicialmente, sabemos que existe, não duvidamos de seus efeitos, e nos beneficiamos com seus mais variados usos.



Por outro lado, existem temas que são predominantes, que possuem minha preferência. Tais temas estão associados – como já foi dito – a questões sociais e humanitárias, voltadas ao ser humano e a vida em sua plenitude; jamais utilizei como tema figuras e formas únicas, coisas e objetos decorativos e temporais como fotografias, flores, paisagens, imagens figurativistas e acadêmicas, eis que as formas são simples meios de expressão que devem servir de meio de expressão e suporte para o intelecto e emoção, e não devem jamais serem usadas e vistas como a expressão artística principal e única, como foi a fotografia e a pintura de paisagem no passado remoto, quando a fotografia era raridade e único meio de se imortalizar a imagem de pessoas e lugares, eis que hoje se dispõe de inúmeras ferramentas de trabalho em artes muito mais precisas e ricas, tal como muitos artistas geniais empregaram no passado distante outros tantos artistas geniais para compor grandiosas obras do acervo da humanidade.



Alguém lhe despertou para o mundo das artes?

O despertar para o universo das artes foi na infância, de parto normal, sem referências pessoais. Não houve uma indicação, uma inspiração e despertar único. Houve um nascimento para uma situação e para um universo de expressão sem dor que encontrou acolhida instintiva de minha parte e incentivo de professores em escolas depois. Mas o início não se deu em escola propriamente dita. O despertar aconteceu em desenhos feitos no chão de estacionamentos de carros e tapumes de canteiros de obras de construção civil e muros, com pedaços de tijolos, giz, gesso, carvão, pedaços e restos de madeira e papelão, coisas que primos até hoje recordam. Anos depois descobri que minha mãe e tias pintavam também, desde telas a louças e tecidos, mas nada disso posso atribuir a um despertar para o mundo das artes.



Como entende que uma obra deve ser analisada?

Quando se fala em analisar alguma coisa se faz referência expressa ao entendimento, a capacidade de compreender, raciocinar, pensar sobre alguma coisa e absorver o resultado da análise de alguma coisa. A meu ver, arte não é para ser analisada pois não se tem um roteiro e uma fórmula pronta com resultado científico inquestionável. Arte é um estado de espírito em face de uma situação proposta e concreta, e em face da situação proposta que se depara se pode gostar ou não gostar do que se infere, do que se recebe, do que se percebe, da energia que o objeto lhe transmite e inspira. Diante de uma obra de arte normalmente se tem a obra - evidente! - e quando muito se tem um título que servirá de guia, de indicativo de roteiro para se começar uma síntese pessoal, emocional e racional, do que o autor da obra pretendeu, e, de posse de pelo menos um desses dois elementos referenciais se deve partir para apreciação e deleite do objeto utilizando os sentidos da visão, tato, gustação, audição, enfim, todos os sentidos permissíveis para a interação com o objeto artístico que pode ser inclusive uma comida, pode exalar cheiro e ser palpável, deixando para o final - às vezes muito tempo depois - o saldo racional e conclusivo da análise: gosto, não gosto! Gosto porque... Não gosto porque... Entendi isso... Não entendi aquilo e nem "triquilo"!



Crê que a arte seja dom?

Arte é dom, é vocação, é identidade pessoal como acontece com qualquer outro profissional em relação ao seu ofício e ciência. É muito mais que simples treino e repetição de técnicas com alguma qualidade de resultado. É muito mais que simples habilidade manual e facilidade de manuseio de ferramentas, tintas, cinzéis, formões e pinceis. É muito mais que trabalho eventual de final de semana para ocupar o tempo de senhores idosos e aposentados. É infinitamente mais amplo e totalmente diferente de um mero lazer e terapia ocupacional pois quem faz terapia é quem possui algum problema, quem tem alguma dificuldade clínica do tipo emocional, físico, psicológica, por recomendação de médicos psiquiatras ou psicólogos, e, muito embora existam artistas que são completamente alienados mentais, mesmo o trabalho resultante dessa alienação não é coisa de louco. Muito ao contrário. A arte não tem nada de débil mental embora algumas pessoas imaginam, e o exemplo mais clássico que se tem na história das artes visuais foi o de Vincent Van Gogh que padecia profundamente de depressão e entrava em crises vez ou outra, que num surto depressivo amputou a própria orelha, e que em outro surto mais grave, às vésperas de uma noite de Natal, suicidou-se. Portanto a arte é um estado de alerta dos sentidos, de despertar para uma sensibilidade e capacidade de compreensão mais intensos que o experimentado pela maioria das pessoas que inclusive se identificam com o objeto da arte, mas que não possuem a mesma capacidade criadora e expressiva.



Veja bem, não estou querendo dizer com isso que hoje em dia uma simples pintura de paisagem, flores, cenas bucólicas do cotidiano não tenham beleza e não sirvam como objetos de decoração. Não é isso! Há gosto para tudo, inclusive para os saudosistas da pacata vida no meio rural e campestre. Mas, em verdade, esse tipo de pintura já foi arte no passado remoto, pobre de ferramentas, meios e modos de expressão artística, e hoje não traduz e não reflete o conceito de arte. Hoje, um computador é uma ferramenta extremamente precisa em termos de linhas e que oferece uma palheta de cores jamais vistas pelo ser humano, que pode produzir resultados nunca antes imagináveis, mas jamais um computador será artista por faltar-lhe o elemento criativo, emocional, pensante e humano. Assim, um cesto artesanal de vime para flores foi arte no início dos tempos remotos, mas hoje - como dizem os feirantes – não requer muita prática e nem tão pouco habilidade.



Como resolve a tua maneira na pintura?

O modo e meio de expressão dependem do que será abordado. Afinal, como já foi bem dito: “O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência”. Assim, como meus temas são abstratos em termos de conceito, jamais são figurativos, a exemplo da paz, do amor, da justiça, do bem, do bom, do belo, tenho liberdade de adotar qualquer suporte e figura que melhor possa sintetizar e representar o conteúdo a ser abordado.



Tens uma certa tela distinta da qual nunca se desfez?

De tempos em tempos costumo fazer um balanço da produção mais recente, geralmente quando vou começar uma fase de produção nova. Assim, sempre que posso costumo separar e reter para acervo pelo menos um trabalho significativo de cada série, por isso não tenho uma tela única, mas possuo vários trabalhos inclusive esculturas que compõem um acervo representativo que não compensa vender ou doar pelos mais variados motivos, como por exemplo um trabalho histórico pintado em 1988, época da Constituinte no Brasil, titulado Guernica Brasileira.



Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris. Foi exposto no pavilhão da República Espanhola, medindo 350 por 782 centímetros, foi pintado a óleo e é tratado como a pintura mais representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães. É um dos quadros que melhor transmite o desespero da guerra face a inimigo externo.



Particularmente, depois de começar a trabalhar com esculturas, que assumi a pintura, imediatamente o linearismo excessivo desse cubista maior virou-me um vício, uma verdadeira doença de difícil cura e libertação que no início deu-me muito prazer. Mas todos buscam sua grafia própria, suas características, sua identidade no mundo e eu não fugi a essa regra. Me lembro que a influência foi tanta que cheguei a pintar uma tela que titulei Guernica Brasileira (em 1988, época da Constituinte no Brasil) totalmente inspirado no quadro Guernica, inclusive com utilização de vários detalhes criados pelo Picasso; e há entre os dois trabalhos uma relação de identidade muito forte não apenas na aparência, mas no contexto e relato histórico principalmente. Guernica é a pintura-painel mais representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães do nazismo, ou seja, retrata o sofrimento e luta contra inimigos e ditaduras invasoras, externas. Guernica Brasleira - que pintei - em plena época da Constituinte no Brasil de 1988, relata a luta, o sofrimento do povo brasileiro contra os próprios brasileiros, inimigos internos do Brasil, em especial os pertencentes à classe política, face a ausência no texto da Constituição de temas de vitais importância e seriedade, tal como a corrupção que ainda assola e padecemos os seus efeitos na rabeira da história.



Em que se fundamenta quando começas a pintar?

Veja bem, fundamentar é um verbo que se traduz em lançar fundamentos ou alicerces, firmar, assentar em bases algo que é fruto do raciocínio e nasce do pensar frio e técnico. Eu não sou pintor, nem desenhista, nem escultor, nem tão pouco artista plástico que é título genérico, dos mais genéricos que existem. Sou simplesmente artista visual. Trabalho com emoções expressas visualmente, que são traduzidas em conceitos abstratos comuns, não trabalho com imagens, com formas e figuras. Trabalho com arte conceitual e gestual.



Para mim qualquer material, tela, madeira, escrita, papel, sons, filme, enfim, qualquer suporte que se utilize para expressão e transmissão de emoção e conceito é válido e é arte, desde que possua emoção como contexto de mensagem detectável e uma história a ser contada, e de tudo isso resulte em sensação de bem estar e beleza para deleite humano. Portanto, o fundamento é a emoção e pouco importa o veículo transmissor da emoção, se pintura, escultura, vídeo, música.



Conhece pintores autodidatas?

Se conheço artistas autodidatas, sim. Eu sou artista visual autodidata e conheço vários iguais, inclusive no Facebook e em várias redes sociais.



Quem você cita como seus pintores preferidos?

Pintores propriamente ditos, não, mas artistas tais como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Rembrandt, Salvador Dali, Picasso, Michelangelo, Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho), e centenas de outros que admiro.



Alguém lhe influenciou ao mundo das artes?

Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Rembrandt, Salvador Dali, Picasso, Michelangelo, Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho).



Como você delibera a arte na sua vida?

Uma vez perguntaram para Albert Einstein o que era mais importante, se a imaginação ou o conhecimento, e ele veio com a seguinte resposta: “A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo.”



Ora, se eu dissesse simplesmente que a arte para mim é vital, tal como a água é para a existência de vida humana, certamente estaria sendo simplório, e, provavelmente, haveria quem preferisse ouvir que não há serpente ou monstro odioso que, pela arte imitado, não possa agradar aos olhos; ou, ainda: que “em arte só uma coisa conta: o que não pode ser explicado”.



Assim, como prova evidente de conceitos vários tem-se que Voltaire, em suas Sátiras, na obra O Mundano, afirmou que o paraíso é onde estou, enquanto Schiller, em seu Dom Carlos, no Ato I, afirmou que um momento vivido no paraíso não se paga caro demais com a morte. Por outro lado, Proust, no seu O Tempo Reencontrado, escreveu que os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam, ao passo que Jorge Luís Borges, figura o paraíso sob a forma de uma biblioteca, enquanto Miguel Torga, em suas Penas do Purgatório, definiu o paraíso como sendo a bem-aventurança natural. Um paraíso onde se possa ir - árvores do bem e do mal, e na porta este aviso paternal: - É proibido proibir!



Portanto, cada um vê o que lhe parece conveniente e poucos sentem o quê ou quem és na realidade. Daí a despreocupação de como me pareço aos olhos dos outros. Assim, curei-me de uma afecção terrível: a de preocupar-me de como pareço aos olhos dos outros e passei tão-somente a me preocupar de como pareço diante de Deus. Afinal, as particularidades são favoráveis à virtude e à felicidade. As generalidades é que, do ponto de vista intelectual, são males necessários.



Enfim, seja como for, vale lembrar o que escreveu Unamuno em seu Diário Íntimo: “Assim como Deus pôs deleite na procriação e na nutrição para que façamos de bom grado o que não faríamos por dever, assim pôs deleite de vanglória nos trabalhos de arte e de ciência para que os executemos. Mas, assim como aquele deleite carnal, aquela concupiscência é causa de morte de muitos, assim é causa de morte este deleite espiritual, quando se nutre de soberba de espírito.” Afinal, é na arte que o homem se realiza e se ultrapassa definitivamente.



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