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Bem-vinda(o) à MarMel visualARTS do premiado artista Ton MarMel que desde infante manifestou dotes para pintura, desenho, escultura, frequentou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, participou de dezenas de salões, exposições no Brasil e exterior, é Doutor em Direito Público que tem a missão de oferecer conhecimento, obras e serviços de excelência com criatividade, segurança e eficiência. 


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sábado, fevereiro 22, 2014

ROUBO DE OBRAS DE ARTE

(Marinha, de Claude Monet. Jardim de Luxemburgo de Henri Matisse. Minotauro, bebedor de mulheres de Pablo Picasso. O lavrador de café, de Cândido Portinari. Minotauro, bebedor de mulheres de Pablo Picassso. A dança, de Pablo Picasso. O pintor e seu modelo, de Pablo Picasso - Montagem da imagem por Ton MarMel) 


“Era uma sexta-feira de carnaval, por volta das 16h, quando um grupo de quatro homens armados renderam os seguranças do Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa (RJ), desligaram o circuito interno de tevê, ameaçaram disparar uma granada e levaram um Picasso, um Monet, um Matisse e um Dalí. Do lado de fora, um bloco de rua aproveitava o primeiro dia da festa. Horas depois, avisada, a polícia encontrou as molduras e os chassis dos quadros, mas nada das obras. Nunca mais. Na época, o ex-agente do FBI Robert Mazur, autor do livro O infiltrado, disse em entrevista que aquele entraria para a lista dos 10 roubos mais espetaculares da história.

Em dezembro do ano seguinte, o triste espetáculo voltaria a se repetir. Desta vez, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Depois de arrombarem um portão, ladrões levaram um Picasso e um Portinari. Passado pouco mais de um ano, em junho de 2008, foi a vez da Estação Pinacoteca, também na capital paulista. A ousadia da Chácara do Céu voltou a se repetir: armados, os bandidos renderam seguranças e recepcionistas e levaram obras de Picasso, Di Cavalcanti e Lasar Segall.


A façanha não é exclusividade do Brasil. Desde o roubo da Monalisa, retirada do Museu do Louvre por um funcionário sem que esse precisasse usar uma arma sequer, a cobiça de obras de arte envolve uma arquitetura difícil de investigar.

>> Entrevistas

*** Ricardo Rosa — Diretor do Museu do Ouro de Sabará


Por que o roubo de obra de arte é tão espetacular e misterioso?

Isso envolve toda a questão da produção humana ao longo da história, os tesouros, toda a simbologia dos objetos. Para nós humanos, essa questão simbólica e emblemática em cima dos objetos tem uma imensa representatividade. E essa questão também vem através dos séculos, que é a questão dos tesouros produzidos pela humanidade. Tem também uma questão nevrálgica que é a do mercado negro de obra de arte, do roubo encomendado, e isso permeia os grandes grupos, as grandes corporações e os colecionadores internacionais porque são obras de elevado valor. Dependendo da obra, fica até difícil mensurar um valor material para ela, porque o valor histórico em si suplanta em muito o próprio valor da tela.

Uma peça de Van Gogh ou Picasso roubada que chega no mercado tem valor de mercado?

Não, mas existem determinados colecionadores, grupos seletos, que adquirem esse tipo de obra. Teve um caso, uns anos atrás, de um colecionador japonês que deixou em testamento justamente que quando ele morresse todas as obras de arte deveriam ser destruídas. Mas parece que houve uma ação na justiça e conseguiram revogar o testamento. Isso também esbarra na própria questão da psiquê humana, de você se apoderar de uma coisa, você ter essa relação de poder com o objeto em si. E isso é uma questão muito relativa, a questão do objeto que quando perde seu valor original e entra dentro de um museu, passa a ser um objeto musealizado. É aquela história: um telefone dentro de um museu não necessariamente é mais um telefone, é um objeto que passa a simbologia de um telefone, mas que tem todo um processo incutido nele que vai se desenvolvendo e que pode determinar vários significados.

No caso do Museu do Ouro, por que ele está em primeiro lugar nessa lista de bens desaparecidos?

Acho que é aquela questão relacionada ao ouro: desde a antiguidade o ser humano tem uma ligação muito forte com esse metal. Grande parte dos objetos roubados aqui no museu em 1985 não tinham a preciosidade do metal em si, mas tinham a simbologia relacionada a isso. O roubo foi em 1985, os bandidos foram presos, mas não conseguiram chegar às pessoas que encomendaram o roubo e nenhuma das peças foi recuperada.

E tem uma percentagem de recuperação?

É muito difícil mensurar um quantitativo. Mas de um montante de 100%, normalmente se recupera de 30 a 40% e não no momento imediato ao roubo, geralmente posteriormente, se visitando antiquários, colecionadores, pessoas ligadas ao meio artístico que não têm como comprovar a procedência do objeto.



Existe um mercado negro par isso no Brasil?

Acredito que exista sim. Não tenho como afirmar isso, mas o simples fato de ter o roubo por encomenda já determina isso. E hoje existe, dentro da Polícia Federal, um departamento em estreita sintonia com o Iphan e o Ibram para fazer uma investigação mais apurada em cima dessa questão. E a própria Interpol e a Unesco trabalham diretamente ligados com os ministérios da cultura de diversos países exatamente para coibir esse comércio ilegal de obras de arte no mundo.


*** Vera Alencar — Diretora do Museu Chácara do Céu


Você tem esperança de recuperar os quadros roubados?

Sempre. De vez em quando sonho com isso. E cobro das pessoas, mando carta para a polícia, mas nada acontece. Não tenho retorno de ninguém, como se nada tivesse acontecido.

O que houve quando o Matisse apareceu em um site da Bielorússia?

Aquilo foi um alarme falso, aquilo e nada foi a mesma coisa, nunca tiv emos notícia de coisíssima nenhuma. O que a gente tenta é fazer coisas, mas não sabe por onde começar. A penúltima coisa que fiz foi mandar uma carta para a Polícia Federal (PF) pedindo notícias, porque você tem direito a pedir vistas do processo, aí a resposta veio assim: "De ordem do presidente do inquérito policial supramencionado em resposta ao ofício tal, informo vossa senhoria que o apuratório em referência encontra-se em fase de investigações não havendo indiciados até o presente momento". Isso estou careca de saber. Isso e nada é a mesma coisa.

E o que acha que pode ter acontecido com essas obras?

Eu ouço de tudo e de todos os lados. Tem gente que acha que isso está num bunker de um sheik árabe, outro acha outra coisa, mas é tudo conjectura porque não temos nada de concreto.


E por que você acha que obra de arte gera esse tipo de lenda?


Acho que tem uma mística e também um interesse financeiro, porque a valorização das obras de arte hoje em dia é uma coisa brutal. Se você tem Matisses e Picassos envolvidos, você tem uma fortuna em jogo. Agora, o que não consigo entender é como uma pessoa rouba — e isso está na Interpol desde meia hora depois de acontecer — obras que não vão poder ser vendidas. Não tem liquidez nenhuma. Não dá para entender, deve ser uma coisa de tara mesmo.

E qual tua expectativa em relação às obras?

Meu feeling é que um dia vou acordar com a notícia de que encontraram não sei onde. Não aconteceu com a obra do Munch outro dia, depois de 20 anos não apareceu:? Só que em 20 anos não pretendo mais estar entre nós. Então vamos ver o que vai acontecer. Fiz até uma tentativa de trazer o autor de O infiltrado, o Robert Mazur. Ele declarou para uma matéria que considerava o roubo da Chácara do Céu um dos dez mais importantes do mundo. Eu disse "ah vou ligar para esse homem para ver se ele não quer trabalhar com a gente". Mas isso implica numa coisa dele vir, da PF daqui trabalhar junto com ele, de ter uma grana para trazer. Fiz várias ingerências nesse sentido e não fui bem-sucedida. Essa foi a última tentativa. Há mais de um ano.”




(Nahima Maciel. Correio Brazilense, caderno de Diversão e Arte, 22.02.2014. Site Nahima Maciel)