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Bem-vinda(o) à MarMel visualARTS do premiado artista Ton MarMel que desde infante manifestou dotes para pintura, desenho, escultura, frequentou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, participou de dezenas de salões, exposições no Brasil e exterior, é Doutor em Direito Público que tem a missão de oferecer conhecimento, obras e serviços de excelência com criatividade, segurança e eficiência. 


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sábado, julho 18, 2015

MÁSCARAS (AutoRetratos)

Não se deixe enganar por mim. Não se engane com a máscara que eu uso. Pois, eu uso mil máscaras, que tenho  medo de tirar, e nenhuma sou eu. Fingir é uma arte que se tornou uma segunda natureza para mim, não se engane.


(MÁSCARAS (AutoRetratos). Pintura pertencente à série Nós, Brinquedos, composta de mais de 600 obras. Técnica mista. Autor: Ton MarMel)

Eu dou a impressão de que sou seguro, de que tudo está bem e em paz comigo, que meu nome é confiança e tranquilidade é meu lema, que as águas estão calmas e que estou no comando sem precisar de ninguém.

Mas não acredite nisso tudo, por favor.

A minha aparência é tranquila, mas é apenas uma aparência. É uma máscara superficial, máscara que sempre varia e esconde algo. Por baixo dela não há tranquilidade, nem complacência. Por baixo dela está o meu real, em confusão, medo e abandono. Mas eu oculto tudo isso, pois não quero que ninguém o veja. Fico em pânico ante a possibilidade de que minha fraqueza fique exposta, e é por isso que crio máscaras atrás das quais me escondo, com a fachada de quem não se deixa tocar, para me ocultar do olhar que sabe. Mas esse olhar é justamente a minha salvação. Minha única salvação e eu sei disso. É a única coisa que pode me libertar de mim mesmo, dos muros da prisão que eu mesmo levantei, das barreiras que eu mesmo, tão dolorosamente, construí. Mas não digo nada disso a você. Não ousarei. Tenho medo.

Tenho medo de que seu olhar não seja acompanhado de amor e aceitação. Tenho medo de que você me menospreze, que ria de mim, ferindo-me. Tenho medo de que, lá dentro, no interior de mim mesmo, eu não valha nada; de que você acabe vendo e me rejeitando. Então continuo a viver meus jogos, meus jogos de fingimento, com a fachada de segurança por fora e sendo uma criança tremendo por dentro. Com um desfile de máscaras, todas vazias, minha vida se torna um campo de batalha.

Eu converso com você uma conversa inútil e superficial. Digo a você tudo que não tem a menor importância e calo o que arde dentro de mim. De forma que não se deixe enganar por essa rotina. Por favor, escute atentamente e procure ouvir o que eu não estou dizendo e que gostaria de dizer o que eu preciso, mas não sou capaz de dizer.

Eu não gosto de me esconder, honestamente, não gosto. Tampouco, gosto de jogos tolos e superficiais que faço. Gostaria mesmo era de ser ingênuo, espontâneo, eu mesmo, e você tem de me ajudar. Você tem de me ajudar, segurando minha mão, mesmo quando esta seja a última coisa que eu aparente necessitar. Cada vez que você é atencioso e encorajador, cada vez que você tenta compreender, procurando me ajudar, um par de asas nasce no meu coração. Asas pequenas e frágeis, mas asas. Com sua sensibilidade, seu afeto e sua compreensão, eu me torno capaz. Você me transmite vida. Não vai ser fácil para você.

A ideia de que eu não valho nada vem de muito e criou muros fortes. Mas o amor é mais forte que os muros. Com mãos fortes, mas gentis, ampare-me. Pois uma criança é muito sensível e eu sou uma criança.


E, agora, você poderia perguntar quem sou eu. Eu sou uma pessoa que você conhece muito bem, porque eu sou todo homem, toda mulher, toda criança... todo ser humano que você encontra.


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Na profundeza do seu ser está o seu desejo. No seu desejo está a sua vontade. Na sua vontade estão os seus atos. Nos seus atos está o seu destino. (Ton MarMel).