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Quem é Ton MarMel

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Brasília, DF, Brazil
Com uma trajetória marcada pela vocação precoce, Antonio Martins Melo (Ton Marmel) transforma sua paixão infante por pintura, desenho e escultura em uma poética visual contemporânea. Advogado pós-graduado, traz o rigor técnico para a liberdade consolidada em salões, exposições individuais e coletivas reconhecidos por diversos prêmios. Currículo plataforma Lattes - CNPQ do governo do Brasil, https://lattes.cnpq.br/079869069679113

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quarta-feira, dezembro 21, 2016

INFLUÈNCA SOCIAL NA APRECIAÇÃO DA ARTE

Estudo mostra que opinião sobre arte influencia na apreciação. O valor financeiro atribuído a ela influencia na forma como as pessoas a apreciam.



Oscar Wilde define a arte como a forma mais intensa de individualismo que o mundo conhece. A singularidade é emitida pelo artista, destaca o dramaturgo irlandês. Mas a opinião dos apreciadores pode ser influenciada por terceiros, segundo estudo conduzido por cientistas austríacos. Os pesquisadores analisaram a opinião de um grupo de voluntários sobre obras de arte e descobriram que eles eram afetados pelo ponto de vista de especialistas e pelo valor monetário dos trabalhos ao fazerem as próprias avaliações. Para os investigadores, a constatação confirma teorias sobre influência social levantadas por sociólogos e filósofos.

Os autores basearam-se em pesquisas na área artística e sociológica em que especialistas tratam a opinião artística como uma questão passível de influências externas. “Vários pensadores argumentam que as pessoas geralmente procuram a arte para se unir ou se excluir de grupos sociais. Isso sugere que, em se tratando de arte, o nosso gosto não é completamente pessoal ou objetivo, pode mudar dependendo do contexto social. No entanto, isso ainda não tinha sido testado empiricamente”, explica ao Correio Matthew Pelowski, um dos autores do estudo e pesquisador da Faculdade de Psicologia da Universidade de Viena, na Áustria.

No experimento, um grupo de voluntários tinha que avaliar uma série de pinturas de acordo com o seu prazer pessoal. Antes da apresentação, porém, eles foram informados que alguns grupos sociais haviam avaliado as obras anteriormente: colegas universitários, peritos (curadores) e jovens que largaram a faculdade e estavam sem trabalhar. “Os resultados mostram que, quando os participantes pensavam que os especialistas ou os colegas de faculdade gostavam de uma pintura, eles também gostavam”, conta Pelowski. “No entanto, quando eles pensavam que os desempregados não gostavam de uma pintura, os participantes foram na direção oposta e disseram que gostavam mais”, completa o autor.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores mostraram aos voluntários o preço fictício de venda de uma pintura em um leilão de arte, o que também mudou significativamente a forma como eles definiram seu posicionamento diante da peça. Preços muito baixos deixaram os participantes menos interessados e admirados pela obra, preços muito altos provocaram o efeito contrário. Segundo a equipe de investigadores, as constatações mostram como a arte pode ser usada para demonstrar tipos de afinidade em grupos sociais. “Esses resultados fornecem apoio empírico para uma teoria de distinção social introduzida pelo sociólogo e filósofo francês Pierre Bourdieu. A forma como usamos a nossa avaliação e o nosso engajamento com a arte pode demonstrar lealdade aos grupos sociais desejáveis”, destaca Pelowski.


(Correio Braziliense. Caderno Ciência e Saúde. Vilhena Soares)