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Quem é Ton MarMel

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Brasília, DF, Brazil
Com uma trajetória marcada pela vocação precoce, Antonio Martins Melo (Ton Marmel) transforma sua paixão infante por pintura, desenho e escultura em uma poética visual contemporânea. Advogado pós-graduado, traz o rigor técnico para a liberdade consolidada em salões, exposições individuais e coletivas reconhecidos por diversos prêmios. Currículo plataforma Lattes - CNPQ do governo do Brasil, https://lattes.cnpq.br/079869069679113

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sexta-feira, agosto 21, 2015

REDES SOCIAIS E CIÚMES

Vira e mexe nos deparamos com cenas de demonstrações de ciúmes. Igualmente, ao me deparar com o assunto lembro de outras publicações que fiz sobre o tema e sempre aproveito a oportunidade para tecer novas ponderações a respeito.

(Sob a Égide do Amor e da Paixão. Trabalho pertencente a série Nós, Brinquedos, volume 4, produzido através de técnicas diversas pelo artista Ton MarMel)

Não há como saber quando ela surgiu, mas uma anedota que vem circulando nos aplicativos de conversas entre celulares consegue dar a medida do quanto as redes sociais são levadas a sério, hoje, nos relacionamentos amorosos:

Ela: Se você me ama tanto, prove.
Ele: Como posso provar, meu amor?
Ela: Mate um leão.
Ele: Meu amor, isso é impossível. Como eu vou matar um leão?
Ela: Então me deixe ver as suas mensagens no WhatsApp.
Ele: Qual o tamanho desse leão?

Exageros à parte, não é de se espantar que o cabreiro moço da piada tenha adquirido coragem de forma tão repentina. Mas se o sentimento enciumado dos casais é algo conhecido desde que homens das cavernas tentavam fazer a raça humana evoluir, a internet permitiu que ele se tornasse ainda mais rápido, abrangente e, por que não dizer, arriscado. Às escapadas masculinas e femininas somam-se prints de conversas comprometedoras.


Do simples ato de curtir uma publicação, segue-se a desconfiança do outro: "Por que ele gostou disso?". São fotos, comentários e postagens com conteúdos que, antes, poderiam ficar restritos aos amigos no bar, mas que, agora, chegam aos olhos de todo mundo. Inclusive - e, em muitos casos, principalmente - da pessoa com quem você divide a cama. A queda de braço é intensa, até porque, se quase todos sentem ciúme, quase todos fazem parte de alguma rede social. No Brasil, existem 89 milhões de usuários no Facebook e outros 45 milhões no WhatsApp.

Entre 2013 e 2014, o Twitter registrou aumento de 25,6% entre os brasileiros. Hoje, a ciência se debruça sobre a união das redes com a desconfiança existente entre os enamorados. De acordo com o estudo realizado no ano passado pelo doutorando da Escola de Jornalismo da Universidade de Missouri Russel Clayton, o Twitter pode se tomar motivo para que um relacionamento chegue ao fim. Ao entrevistar 581 usuários da ferramenta maiores de 18 anos, a pesquisa apontou que distúrbios existentes em namoros ou casamentos podem ter correlação com a plataforma. Para quem deseja comprovar isso, basta digitar as palavras "redes sociais, ciúme" na caixa de busca do site.

O Facebook também foi alvo do pesquisador. De acordo com a análise de Clayton, aqueles que usam a plataforma de maneira excessiva estão mais propensos a experimentar conflitos relacionados à rede social com os parceiros, o que pode causar danos ao casal, incluindo traição, separação e divórcio. "As redes sociais aparecem na nossa sociedade como um novo meio de manifestar o ciúme. O ciumento, de maneira geral, apresenta um medo enorme de ser trocado ou abandonado pelo outro", garante Graziela Vanelli, psicóloga e autora do livro Amor, ciúme e infidelidade - Como essas questões afetam sua vida (Editora Letras do Brasil).

Apesar de estarem entre nós há um bom tempo, as ciumeiras provocadas pelas redes sociais estão longe de perder força: "Esse é um tema que sempre volta, porém, sob perspectivas diferentes. E, independentemente da abordagem, sempre gera muita polêmica", garante o publicitário Patrick Simon, 25 anos. Ele e a namorada mantêm juntos o blog Estilo a dois, no qual discutem com os leitores os mais variados assuntos, inclusive o ciúme.

Ele cita uma postagem como exemplo. No tópico Grupos masculinos no WhatsApp/Como lidar? - que trata da quantidade de pornografia que circula entre os celulares dos homens -, há extremos que vão de leitoras recriminando a prática, checando inclusive o aparelho do namorado para saber o que ele recebe, àquelas que não consideram isso um problema. "Independentemente disso, é interessante como o universo digital é capaz de influenciar diretamente o contexto social da pessoa e do relacionamento", completa.

O ciúme ataca diretamente um dos pontos fundamentais para manter um namoro ou casamento saudável: a confiança. "O que acontece quando o WhatsApp fica apitando constantemente? Desconfiança. A insegurança é o que mais atrapalha a relação saudável e, diante da quantidade de informação que recebemos hoje em dia, essa sensação tende a crescer", afirma a coach de relacio­namentos Margareth Signorelli, "A gente po­de pensar que, antes, o nosso ciúme era estimulado três vezes em uma semana. Agora, são 30 vezes por dia", pondera.

Em muitos casos, admitir que há um problema é a parte mais complicada, mas é primordial discutir o assunto para garantir a continuidade do namoro. E é melhor que isso aconteça desde o princípio. “A conversa deve ocorrer já no início. Muitas mulheres temem que isso possa ser entendido como cobrança, Porém, se o homem foge dessa discussão, prova que não é a melhor pessoa para se relacionar. Ela não quer impor nada, mas apresentar as próprias necessidades."

REGRAS CLARAS DESDE O INÍCIO

As regras estabelecidas entre os casais para lidar com as redes sociais não precisam ser estanques - há como se adaptar ao momento que o par está vivendo. No réveillon do ano passado, o administrador Fábio Ferreira dos Anjos, 33 anos, e a empresária Wivian Ferreira, 39, ficaram em casa, já que a pequena Júlia estava prestes a chegar. Juntos, falaram sobre o quanto a vida mudaria a partir do nascimento da filha. E a conversa também envolveu as redes sociais. "Aproveitamos para colocar nas nossas resoluções de ano-novo a diminuição do uso das redes sociais. Temos ficado longe do celular, até para aproveitarmos mais o tempo perto da Júlia", garante Fábio. Desde o Orkut, eles se valem dessas plataformas e têm visões parecidas sobre elas ­ mas as usam de forma diferente.

"Sou tranquilo em relação ao ciúme nas redes porque isso vai da forma como o usuário se comporta. Se ele mantém um comportamento austero, faz com que as outras pessoas o respeitem mais. Nunca fui de expor a minha vida particular no Facebook", assegura Fábio. Já a esposa foi mais radical. Apesar de manter o WhatsApp e ser usuária assídua de Instagram, ela deixou o Facebook por enxergar nele um motor para sentimentos ruins ­ inclusive o ciúme. "Eu sinto sim. Dependendo das situações, isso pode ocorrer. Mas, no nosso relacionamento, nunca aconteceu nada que pudesse causar uma briga ou distanciamento. Porém, há muita gente que sente isso por algo que não existe. Por isso decidi sair", afirma.

Os dois garantem que homens e mulheres têm comportamentos diferentes quando iniciam uma relação. Fábio explica que os homens só mudam o status de relacionamento na rede quando há certeza de que é algo sério. "O que eu percebo, entre os colegas, é que eles se perguntam se vale a pena alterar o sta­tus na rede social, porque não sabem se aquele relacionamento dará certo. Mas quando é algo concreto, a situação o deixa mais seguro. Mas se é um "affair que está começando a pegar corpo, ele fica na dúvida se muda ou não."

Wivian diz que, por terem esse medo de compromisso mais sério, os homens fazem com que as mulheres tenham de ser mais incisivas. ''A minha primeira cobrança quando começamos a namorar foi a mudança de status. É como perguntar: 'Eu existo ou não existo na sua vida?' E isso é muito comum entre as mulheres que conheço. É como se fosse uma aliança de compromisso." Apesar de não ter um perfil próprio no Facebook, Wivian se mantém conectada por meio da conta do marido. "Eu saí da rede social por opção. Mas, às vezes, me sinto fora do planeta por não fazer parte dela Então, uso a conta do Fábio para me informar e isso também é uma forma de acompanhá-lo, ver quem está seguindo."

Como há um acordo entre o casal, o fato de Wivian usar a rede do companheiro não é um problema, segundo os psicólogos. Porém, quando a devassa acontece sem o conhecimento do cônjuge, a questão se torna mais grave. "As redes sociais mudaram a dinâmica de muitas relações, mas isso não significa que ela seja a causa da infidelidade. Na verdade, se a pessoa é ciumenta, ela pode potencializar o sentimento de desconfiança e insegurança", assegura Marleide Mendes Borges, psicóloga na Clínica Terapêutica Viva - unidade Brasília.

Compartilhar é outro verbo que dá tônica aos relacionamentos, mas isso nunca deve ser encarado como cerceamento da liberdade - o consenso deve sempre nortear as discussões. Para Graziela Vanelli, a individualidade precisa ser respeitada, assim como o respeito aos acordos que o casal fizer. A psicóloga diz que, se o parceiro for infiel, não há por que invadir as redes sociais para provar: as atitudes da pessoa no dia a dia vão denunciar esse comportamento. Segundo a profissional, a infidelidade será demonstrada no olhar; na conversa com outra pessoa, nos compromissos que marca e não cumpre.

"Mas se for paranoia do ciumento, melhor não invadir nada. O companheiro fiel também demonstra a fidelidade nos gestos, olhares e respeito. Resumindo: não devemos devassar a vida alheia. A percepção dos dados de realidade, que todos podem e devem desenvolver, mostrará o que, de verdade, a pessoa procura." Mesmo assim, há muita gente que não resiste ao celular do cônjuge dando sopa. Ou considera uma intervenção divina quando a página do e-mail fica aberta. Contudo, o que antes soava como destino pode assumir contornos de doença.

De acordo com Marleide Mendes Borges, o ciúme patológico começa a dar sinais quando causa sofrimento psíquico e distorce a realidade. Segundo a profissional, é normal que muitos homens e mulheres interajam entre si, principalmente na internet Mas, quando existe a desconfiança exacerbada por parte de um dos parceiros sem fundamentação, quando uma das partes começa a dar mais atenção ao perfil do outro do que ao seu próprio, fica horas buscando indícios infundados ou dispõe de muito tempo para investigar a vida e as contas de amigos do parceiro sem motivo, se acende um alerta.

"Se existe tanta desconfiança a ponto de tentar burlar as leis e descobrir a senha do parceiro a qualquer custo, é hora de repensar os conceitos de relação e buscar entender o que está acontecendo entre o casal", avisa Marleide. Alguém com comportamento obsessivo usará as redes sem receios. Para a psicóloga Marisa de Abreu, as plataformas não criam essas atitudes, mas são espaços para que as obsessões sejam expressadas.

"A obsessão trará problema quando o limite do outro em suportar comportamentos invasivos chegar ao limite. A ajuda psicológica se faz necessária quando o obsessivo passar a identificar prejuízos em sua vida ou quando a parte que esta sendo perseguida não souber mais como fazer para manter o relacionamento." Mesmo que travestidos em bytes, o ciúme é antigo e capaz de fazer com que um namoro nem mesmo tenha tempo de se desenvolver. Particularmente, este articulista, jurista e artista que vos escreve, asseguro que poucas vezes esse sentimento interferiu decisivamente em meus relacionamentos. Mas, ao contrário, eles sempre foram referência do que não é ideal.

E digo mais: "As redes sociais devem ser levadas a sério na medida em que alguém leva algo a sério no mundo real: Alguém que é ciumento em demasia fora da internet irá manifestar insegurança também por meio das redes, por serem um espaço que facilita e imediatiza a criação de novos contatos, a descoberta de afinidades entre pessoas".

"É a clássica situação de alguém entrar no teu perfil da rede social e ver as conversas. Não havia nada ali para ela descobrir, apenas situações que, por insegurança, ela poderia encarar como indícios daquilo que temia na imaginação. Considerei que esse gesto de invadir minha privacidade era sinal de alguém emocionalmente insegura e capaz de tudo, um indicativo de que o namoro não tinha um bom futuro."

Para mim, apesar de um relacionamento unir duas pessoas em um projeto comum, elas continuam sendo indivíduos e precisam ter uma esfera própria e autônoma fora da relação; é a clássica situação na qual 2 pessoas formam um único corpo e interesses somados. "Escolhemos todos os dias ficar ao lado daquela pessoa e é importante lembrar dessa escolha para que o comprometimento seja constante e consciente. Por isso, a manutenção da esfera de privacidade de cada um é fundamental, pois é a forma de assegurar que a relação é uma escolha, e não algo que absorveu completamente a individualidade e privou a pessoa de autonomia."

Entendo, ainda, que, ao se colocarem como extensões da vida real, as redes sociais refletem as mudanças de comportamento. "Quando estamos solteiros, muito do que publicamos na internet está direcionado a criar oportunidades de novos contatos e flertes: apresentamos a nossa imagem pessoal nas redes sociais de modo que seja ela seja atraente, convidativa. Isso muda, assim como muda fora da internet, quando estamos namorando." Em alguns casos, a exposição pode sair do controle e cada casal vai ter de aprender a lidar com isso.

Há poucos dias, Rodrigo Zanotta, desenvolvedor web, e Luana Iahnke, fotógrafa, ambos de 24 anos, ficaram famosos no Brasil inteiro. Eles se co­nheceram por meio do aplicativo de relacionamentos Tinder há 10 meses e, para celebrar o amor, tatuaram o símbolo da plataforma no pulso. Apesar da atitude considerada radical, os dois têm visões bem centradas quanto à ligação das redes sociais com o namoro. "Eu e o Rodrigo temos um a senha do outro, mas é mais por praticidade do que por desconfiança. Como sou fotógrafa e boa parte dos meus contatos são feitos pelo Facebook, em alguns casos, já pedi para ele entrar no meu perfil e enviar alguma coisa que não consegui pelo celular, por exemplo. Ambos temos a liberdade de entrar no perfil do companheiro, mas, por opção, evitamos fazer isso", garante Luana.

Rodrigo não nega que as redes possam ser um vetor de atritos nas relações - "curtidas e pedidos de amizade podem sim acabar criando um certo ciúme" -, mas, para ele, o casal é o principal responsável para que essas impressões não sejam transformadas em conflitos. "Quando nenhum dos dois der motivo para o ciúme ir mais longe, o sentimento pode ser facilmente controlado e até ignorado." Apesar da repercussão do episódio da tatuagem, ele não teme continuar a mostrar o quão está feliz com Luana.

"Postamos momentos do casal como saídas, eventos com amigos presentes, coisas que marquem nosso dia e achamos legal compartilhar. O que é de nossa intimidade diz respeito apenas a nós, e nada vai para as redes sociais", garante o jovem. Ainda que exista cuidado, Luana acredita que há muita gente disposta a criar rusgas em um relacionamento simplesmente pelo prazer de cutucar. "Sempre tem um ou outro que gosta de alfinetar. Isso, infelizmente, sempre vai existir. Tem gente que se incomoda com a felicidade alheia. Nós não deixamos de postar e cantar nosso amor: somos felizes, apaixonados e gostamos que as pessoas vejam e entendam que é possível ter uma relação sadia como a nossa", resume.

O sentimento de inveja que muitos casais percebem emanar dos solteiros é reflexo de uma sociedade ainda incapaz de ver a solitude como uma escolha. Frederico Mattos, psicólogo e consultor de relacionamento do Par-­Perfeito, afirma que existe uma pressão silenciosa para os solteiros firmarem um compromisso amoroso. "Parece haver uma correlação enganosa entre 'estabilidade e vida de casal' e 'instabilidade e vida de solteiro'. No entanto, há pessoas solteiras estáveis e casais instáveis. Mesmo assim, segue essa rivalidade imatura de que estar num relacionamento é inevitavelmente sinal de bem-estar."

Para a psicóloga Graziela Vanelli, é preciso entender a época em que vivemos e, principalmente, as liberdades que ela dá aos casais. Somente dessa forma, as redes sociais serão menos um problema e mais uma forma de aproximar os casais. "Chego à conclusão de que o ser humano é tão negativo que, mesmo evoluindo, não sabe viver. Na época da vovó, não existia o celular, as relações eram físicas, porém, não havia tanta liberdade entre os casais quanto se tem hoje. Liberdade de falar, olhar, tocar, fazer. Hoje, que desfrutamos dessa liberdade, segurança e assertividade, preferimos ficar no teclado."

Quem sabe aproveitar essas mudanças pode colher frutos que vão bem além de uma curtida. O cineasta Acácio Campos Filho, 60 anos, e a comissária de bordo Mônica Branco Campos' 45, namoraram na juventude por três anos. Quando ela teve de se mudar para São Paulo, a relação acabou, mas o interesse não. "Ele me procurou depois disso, mas ficamos 15 anos sem notícias um do outro. Até ele me achar no Facebook, em 2010", lembra Mônica.

"Eu disse: 'Quando você pousar em Brasília um dia, me liga que a gente sai para conversar.' E aconteceu isso. Acho que, se não fosse pela rede social, não estaria com ela hoje", conta Acácio. E o que realmente aconteceu? "Nós nos reencontramos, nos reapaixonamos e nos casamos", resume a comissária. A história de amor que começou antes mesmo das redes sociais teve seu desfecho por meio delas. Entretanto, apesar de entenderem que devem algo a Mark Zuckerberg, a plataforma não é capaz de trazer incômodo para os dois.

"Eu considero o Facebook uma ótima ferramenta, mas o uso de acordo com os meus valores. Só publico detalhes corriqueiros do nosso dia a dia, mensagens positivas. A nossa relação com a rede é muito aberta e limpa. Ele tem minha senha e eu tenho a dele, e isso não causa nenhum tipo de transtorno porque usamos de acordo com o que acreditamos", explica Mônica. Acácio diz não ver problema algum em casais que, por exemplo, postam fotos de viagens a dois. Mas é contra quem transforma o mural do Facebook em muro de lamentações particular. E, para ele, isso pode trazer problemas a um relacionamento.

"Entre nós, não existe cobrança, desconfiança nem insegurança. Temos os nossos grupos no WhatsApp e ela não sabe quem está nos meus, não sei quem está nos dela e isso não importa. Temos uma relação de total confiança", explica o cineasta, lembrando um detalhe importante: as redes sociais não distanciam o casal. "Ainda busco os valores antigos, aprendidos com pai e mãe, na qual essa privacidade tem de ser minha e dele, não preciso expô-la para o mundo. Isso é da nossa essência. Eu respeito a privacidade dele e ele compartilha do mesmo comportamento comigo", afirma Mônica.

Desde que a Emenda Constitucional n° 66/2010 entrou em vigor, conseguir o divórcio é algo que depende apenas da vontade de um dos cônjuges, sem a necessidade da comprovação da separação de fato ou, ainda, da separação judicial. 'Antes, a culpa era um elemento determinante para que a separação judicial pudesse ser proposta sem a necessidade de comprovação da ruptura da vida em comum há mais de um ano e a impossibilidade de sua reconstituição". Mesmo assim, as redes sociais são usadas como forma de fundamentar o pedido de divórcio, principalmente nos casos em que há necessidade de garantir a segurança do patrimônio construído pelo casal.

Nesse sentido, se a pessoa quer usar o conteúdo das redes sociais como prova, deve fazer cópia utilizando o próprio perfil. "É preciso levar a imagem até um cartório para que seja atestado que é fidedigna" Entretanto, caso seja comprovado que houve invasão da privacidade do acusado, as coisas podem se inverter e o traidor(a) passa a ser a vítima

Por outro lado, mesmo não fazendo diferença na hora do pedido, muitos divórcios têm nas redes sociais uma razão a mais para acontecer. "O fato de a pessoa ter traído o companheiro não influencia na de­cretação do divórcio. Nesses casos, as redes sociais serão um adendo que podem justificar o abalo moral ou a exposição sofrida. Vai ser mais importante o que o cônjuge sentiu ao ser traído do que a traição em si. As provas serão usadas para fundamentar o pedido de uma indenização."

Por último, creio ser útil lembrar que é crime acessar o celular, o computador, laptop, etecétera do(a) companheiro(a) valendo-se de métodos ilícitos que permitam burlar a senha. Mas ressalto, que para a configuração do delito há a necessidade de que o aparelho só possa ser acessado mediante senha e que essa senha não tenha sido fornecida ou que o invasor do aparelho tenha se valido de algum meio fraudulento para acessar o celular do companheiro(a).

TRÊS PERGUNTAS

Adentrando um pouco mais o tema, fizeram algumas perguntas a Miguel Roberto Jorge, professor associado de Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina/ Universidade Federal de São Paulo (Unifesp):

1 – HÁ ALGUM MOMENTO NO RELACIONAMENTO EM QUE SEJA JUSTIFICÁVEL A DEVASSA NAS RESDES SOCIAIS DO CÔNJUGE? Não. A invasão da vida privada de alguém nunca é justificável. Entretanto, é característico nas redes sociais a exposição pública de informações que, em outros tempos, eram consideradas privadas. Assim, na medida em que um indivíduo expõe detalhes da vida pessoal em rede social, o acesso de qualquer pessoa dos seus relacionamentos ou mesma estranha a eles, não mais se caracterizará como invasão e poderá trazer consequências.

2 – O SEXO PODE SER AFETADO PELO CIÚME? POR QUÊ? Qualquer emoção ou sentimento mais intenso pode afetar a libido. Entretanto, há indivíduos que se excitam com a ideia de que o parceira esteja se relacionando sexualmente com outra pessoa.

3 – PARA A PSIQUIATRIA, O CIÚME PODE GERAR TRANSTORNO? DE QUE TIPO? Fazem parte da história da psiquiatria os quadro antes chamados de ciúme patológico. Eram observados em parte dos indivíduos com dependência do álcool (alcoolismo) ou com transtornos da personalidade (indivíduos exageradamente desconfiados ou mesmo paranoides). No Manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais, publicado em 2013 pela American Psychiatric Association, há um quadro denominado ciúme obsessivo, descrito entre os transtornos relacionados ao transtorno obsessivo compulsivo e caracterizado como uma preocupação não delirante com a infidelidade percebida do parceiro.



(Inspirado em artigo de Rafael Campos publicado na Revista do Correio, pertencente ao jornal Correio Brazilense, de domingo, 8 de fevereiro de 2015, ano 10, número 508).





terça-feira, agosto 11, 2015

QUEM SOU EU ?

Sou seu companheiro constante.
Sou um grande ajudante, ou um fato constante.
Posso motivá-lo a vencer,
Ou arrastá-lo para o fracasso e colocar tudo a perder.


(LENÇOS. Trabalho pertencente a série Nós, Brinquedos, volume 1 - Poeira em Alto mar - de autoria de Ton MarMel)

Estou completamente às suas ordens.
Metade das coisas que você faz sou eu que faço,
E faço corretamente, e rápido.
Sou facilmente administrável.
Mas você tem que ser firme comigo.
Mostre-me exatamente como quer que algo seja feito e,
Depois de poucas lições, eu o farei automaticamente,
Sou o servente de todas as melhores pessoas,
Mas também sirvo bem aos fracassados.
Aqueles que são grandes, eu torno maiores,
Aqueles que são um fracasso, pioro seus fracassos.
Não sou uma máquina
Embora trabalhe com grande precisão –
E mais a inteligência do ser humano.
Use-me bem e terá lucro,
Utilize-me mal e terá prejuízos – a mim pouco importa.
Pegue-me, treine-me, seja firme comigo,
E eu colocarei o mundo a seus pés.
Acomode-se comigo, e eu o destruirei.
Quem sou eu?



Eu sou seus hábitos!




quarta-feira, julho 29, 2015

SONHOS

Ele era um jovem que morava no Centro-Oeste dos Estados Unidos. Por ser filho de um domador de cavalos, tinha uma vida quase nômade, mas desejava estudar. Perseguia o ideal da cultura. Dormia nas estrebarias, trabalhava os animais fogosos e nos intervalos, à noite, ele procurava a escola para iluminar sua inteligência.

(ARQUITETANDO. Trabalho confeccionado em técnica mista pertencente ao Volume  4 - O Segredo Conhecido - da série Nós, Brinquedos, de autoria de Ton MarMel)


Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu à classe que cada aluno relatasse o seu sonho. O que desejariam para suas vidas.

O jovem, tomado de entusiasmo, escreveu sete páginas. Desejava, no futuro, possuir uma área de 80 hectares e morar numa enorme casa de 400 metros quadrados, Desejava ter uma família muita bem constituída.

Tão entusiasmado estava que não somente descreveu, mas, desenhou como ele sonhava a casa, as cocheiras, os currais, o pomar. Tudo nos mínimos detalhes. Quando entregou o trabalho ficou esperando, ansioso, as palavras de elogio do seu mestre.

Contudo, três dias depois, o trabalho lhe foi devolvido com uma nota sofrível Depois da aula o professor o procurou e lhe falou:
- O seu é um sonho absurdo. Imagine, você é filho de um domador de cavalos. Será um simples domador de cavalos. Escreva sobre um sonho que possa se tornar realidade e eu lhe darei uma nota melhor.

O jovem foi para casa muito triste e contou ao pai o que havia acontecido. Depois de ouvi-lo, com calma, o pai lhe afirmou:
- O sonho é seu meu filho, faça o que quiser... essa decisão é sua. Persistir neste sonho ou procurar outro.

O jovem meditou e no dia seguinte entregou as mesmas páginas ao professor. Disse-lhe que ficaria com a nota ruim, mas não abandonaria seu sonho.

(VIDA PRIVADA. Trabalho confeccionado em técnica mista pertencente ao Volume 1 - Poeira em Alto Mar - da série Nós, Brinquedos, de autoria de Ton MarMel)


Esta história foi contada para várias crianças pelo dono de um rancho de 80 hectares, uma enorme casa de 400 metros quadrados e uma família muito bem constituída, próximo de um colégio famoso dos Estados Unidos, o qual empresta para crianças pobres passarem os fins de semana.

Depois de terminar a história, o dono do rancho se revelou ser o jovem que teve a nota ruim, mas não desistiu do seu sonho. E o mais incrível é que depois de 30 anos o professor daquelas crianças tem visitado, com seus alunos, aquela área especial. Um dia se apresentou, por ter identificado no proprietário o antigo aluno, e confessou:
- Fico feliz que o seu sonho tenha escapado da minha inveja. Naquela época, eu era um atormentado. Tinha inveja das pessoas sonhadoras. Destruí muitas vidas. Roubei o sonho de muitos jovens idealistas. Graças a Deus não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantas vidas.

Como é bonito ter sonhos... Sonhar é da natureza humana. Tudo que existe no mundo, um dia foi elaborado, pensado e meditado por alguém, antes de ser concretizado em cimento, mármore, madeira ou papel foi um solho!!!


Então, se você tem a capacidade de sonhar o bem, persista na ideia e a concretize. Podem ser necessários anos para que se concretize um sonho, mas, um dia, ele se realizará. E o que são alguns anos em face da eternidade que aguarda o espírito imortal da pessoa que sonha?






segunda-feira, julho 27, 2015

SER NEURÓTICO É...

Sonhar colorido e viver em preto-e-branco.
Desejar de acordo com os mais lindos sonhos e agir em função dos piores pesadelos.
Esperar que os resultados sejam diferentes, fazendo tudo exatamente como antes.
Continuar cometendo os mesmos erros, por medo de cometer erros novos.
Lutar desesperadamente para mudar... OS OUTROS!

(COMPOSIÇÃO. Trabalho pertencente ao volume 2 da Séria Nós, Brinquedos (As tranças do careca), de autoria de Ton MarMel)



Preferir um inferno conhecido a um céu duvidoso.
Sentir-se ameaçado por tudo que contraria o seu modo de ser e os seus pontos de vista.
Ruminar velhas angústias e preocupações, em vez de buscar um jeito definitivo de se livrar delas.
Deixar de fazer o que pode, por não poder fazer tudo que gostaria.
Enxergar apenas o próprio umbigo, só admitindo como verdade o que estiver de acordo
às próprias crenças e convicções.
Procurar a felicidade, fazendo tudo para ser infeliz.
Abrir mão de viver o presente em nome do que já passou ou do que ainda não veio.
Odiar o fracasso e morrer de vergonha de fazer sucesso.

Deixar que façam por você o que só você pode fazer.




quinta-feira, julho 23, 2015

O PODER VERDADEIRO

Era uma vez um guerreiro famoso por sua invencibilidade na guerra. Era um homem extremamente cruel e, por isso, temido por todos. Quando ele se aproximava de uma aldeia os moradores saiam correndo para as montanhas, onde se escondiam do malvado guerreiro.


(DUAS PETECAS. Trabalho pertencente ao Volume 2 - As Tranças do Careca - da série Nós, Brinquedos, produzido através de  técnicas diversas, de autoria de Ton MarMel)

Certo dia, alguém o viu aproximar-se com seu poderoso exército de uma pequena aldeia onde viviam alguns agricultores e, dentre eles, havia um velhinho muito sábio. Quando o pessoal escutou a terrível notícia da aproximação do guerreiro perverso tratou de juntar o que podia e fugir rapidamente para as montanhas, e só o velhinho ficou para trás, pois ele mal podia andar e não podia fugir correndo.

Então, o guerreiro entrou na aldeia e foi cruel; foi logo incendiando as casas e matando alguns animais soltos pelas ruas até que chegou à casa do velhinho, e este quando viu o velhinho assustou-se, pois todos haviam fugido, menos o velhinho indefeso! E, sem piedade, o guerreiro foi logo dizendo ao velhinho que seus dias haviam chegado ao fim, mas que lhe concederia um último desejo antes de passá-lo pelo fio de sua espada.

Assim, ouvindo essas ameaçadoras palavras, o velhinho pensou um pouco e pediu ao guerreiro assustador que fosse com ele até o bosque e que ali cortasse um simples galho de uma árvore.

E achando tudo aquilo uma besteira o guerreiro disse:

- “Esse velho deve estar gagá. Que último desejo mais besta!".

Entretanto, pensando no pedido do velhinho, o guerreiro disse para si mesmo que se esse era o último desejo do velhinho havia que lhes atender. E lá foi o velhinho e o guerreiro acompanhado de sua espada até o bosque.

Chegando ao bosque o guerreiro cortou um galho de uma árvore e quando o galho cortado bateu no chão o velhinho comentou:

- "Muito bem! O senhor cortou o galho da árvore, agora, por favor, coloque esse galho na árvore, outra vez!"

Então, o guerreiro deu uma grande gargalhada e foi logo dizendo que o velhinho devia estar louco, pois todo mundo sabe que isso já não é mais possível (colocar o galho cortado na árvore, outra vez). Ao que o velhinho lhe respondeu:



- "Louco é você que pensa que tem poder só porque destrói as coisas e mata as pessoas que encontra pela frente. Quem só sabe destruir e matar não tem poder, pois matar e destruir são as coisas mais fáceis que existem. Mas, quem tem o verdadeiro poder é a pessoa que sabe juntar, que sabe unir o que foi separado, que faz reviver o que parece morto. Essa pessoa, sim, tem verdadeiro poder".





quarta-feira, julho 22, 2015

PESSOAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

Teste-se respondendo a estas perguntas:

1- Diga o nome das cinco pessoas mais ricas do mundo.
2- Diga o nome dos últimos cinco vencedores do Prêmio Heisman.
3- Diga o nome das últimas cinco Misses Universo.
4- Dê 10 nomes de pessoas que ganharam o Prêmio Nobel ou o Pulitzer.
5- Dê o nome dos últimos 12 ganhadores do Oscar de melhor ator ou atriz.

Como foi?

(ABRAÇO DE QUEM IMPORTA. Composição em técnica mista de autoria de Ton MarMel. Trabalho pertencente a série Nós, Brinquedos)


A questão é que a maioria de nós não se lembra das manchetes de ontem. Os nomes perguntados acima não são de pessoas medíocres, e sim dos melhores em suas áreas. Mas o aplauso morre, os prêmios envelhecem, empreendimentos são esquecidos. Certificados e diplomas são enterrados com seus donos.

Tente este outro teste e veja como se sai:

1- Liste alguns professores que o auxiliaram em sua jornada escolar.
2- Lembre de três amigos que ajudaram você em momentos difíceis.
3- Pense em cinco pessoas que lhe ensinaram alguma coisa valiosa.
4- Pense em algumas pessoas que fizeram você se sentir amado e especial.
5- Pense em cinco pessoas com quem você gosta de estar.
6- Liste seis heróis cujas histórias tenham inspirado você.

Mais fácil?


Moral da história: as pessoas que fazem diferença na sua vida não são as que têm mais credenciais, dinheiro e prêmios. São as que se importam com você!







sábado, julho 18, 2015

MÁSCARAS (AutoRetratos)

Não se deixe enganar por mim. Não se engane com a máscara que eu uso. Pois, eu uso mil máscaras, que tenho  medo de tirar, e nenhuma sou eu. Fingir é uma arte que se tornou uma segunda natureza para mim, não se engane.


(MÁSCARAS (AutoRetratos). Pintura pertencente à série Nós, Brinquedos, composta de mais de 600 obras. Técnica mista. Autor: Ton MarMel)

Eu dou a impressão de que sou seguro, de que tudo está bem e em paz comigo, que meu nome é confiança e tranquilidade é meu lema, que as águas estão calmas e que estou no comando sem precisar de ninguém.

Mas não acredite nisso tudo, por favor.

A minha aparência é tranquila, mas é apenas uma aparência. É uma máscara superficial, máscara que sempre varia e esconde algo. Por baixo dela não há tranquilidade, nem complacência. Por baixo dela está o meu real, em confusão, medo e abandono. Mas eu oculto tudo isso, pois não quero que ninguém o veja. Fico em pânico ante a possibilidade de que minha fraqueza fique exposta, e é por isso que crio máscaras atrás das quais me escondo, com a fachada de quem não se deixa tocar, para me ocultar do olhar que sabe. Mas esse olhar é justamente a minha salvação. Minha única salvação e eu sei disso. É a única coisa que pode me libertar de mim mesmo, dos muros da prisão que eu mesmo levantei, das barreiras que eu mesmo, tão dolorosamente, construí. Mas não digo nada disso a você. Não ousarei. Tenho medo.

Tenho medo de que seu olhar não seja acompanhado de amor e aceitação. Tenho medo de que você me menospreze, que ria de mim, ferindo-me. Tenho medo de que, lá dentro, no interior de mim mesmo, eu não valha nada; de que você acabe vendo e me rejeitando. Então continuo a viver meus jogos, meus jogos de fingimento, com a fachada de segurança por fora e sendo uma criança tremendo por dentro. Com um desfile de máscaras, todas vazias, minha vida se torna um campo de batalha.

Eu converso com você uma conversa inútil e superficial. Digo a você tudo que não tem a menor importância e calo o que arde dentro de mim. De forma que não se deixe enganar por essa rotina. Por favor, escute atentamente e procure ouvir o que eu não estou dizendo e que gostaria de dizer o que eu preciso, mas não sou capaz de dizer.

Eu não gosto de me esconder, honestamente, não gosto. Tampouco, gosto de jogos tolos e superficiais que faço. Gostaria mesmo era de ser ingênuo, espontâneo, eu mesmo, e você tem de me ajudar. Você tem de me ajudar, segurando minha mão, mesmo quando esta seja a última coisa que eu aparente necessitar. Cada vez que você é atencioso e encorajador, cada vez que você tenta compreender, procurando me ajudar, um par de asas nasce no meu coração. Asas pequenas e frágeis, mas asas. Com sua sensibilidade, seu afeto e sua compreensão, eu me torno capaz. Você me transmite vida. Não vai ser fácil para você.

A ideia de que eu não valho nada vem de muito e criou muros fortes. Mas o amor é mais forte que os muros. Com mãos fortes, mas gentis, ampare-me. Pois uma criança é muito sensível e eu sou uma criança.


E, agora, você poderia perguntar quem sou eu. Eu sou uma pessoa que você conhece muito bem, porque eu sou todo homem, toda mulher, toda criança... todo ser humano que você encontra.


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Na profundeza do seu ser está o seu desejo. No seu desejo está a sua vontade. Na sua vontade estão os seus atos. Nos seus atos está o seu destino. (Ton MarMel).