Muitos
mencionam Brasília como o centro da corrupção do país e os brasilienses se
sentem ofendidos com justa razão, pois Brasília-cidade, que é a capital do
país, não é o Distrito Federal, que é um tipo de estado do pais. Aliás,
Brasília é uma cidade cercada por outras vinte e nove (29) CIDADES SATÉLITES MUNICIPAIS,
embora alguns habitantes das cidades satélites teimem em dizer que moram em
Brasília-CIDADE por razões de proximidade com o poder econômico e político,
mesmo sabendo que moram em Brasília-ESTADO-DF, que é a capital do Brasil, por
ser chic, talvez! Assim, quem mora na cidade satélite de Taguatinga não mora na cidade de Brasília-DF, mas mora em Taguatinga-DF, e assim sucessivamente; Planaltina-DF, Ceilândia-DF, Sobradinho-DF, Guará-DF, Brazlândia-DF, etc..
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| Brasília 55 Anos de Bras-Ilhas por Ton MarMel |
Então, cada um dos 26 estados, o Distrito
Federal e todos os 5.564 municípios brasileiros possuem em si um pouco
Brasília, e mais de 201 milhões de habitantes estão representados em Brasília
que completa 55 anos de vida.
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Fotos da maquete de escultura do QUADRADINHO mais famoso do Brasil (como é conhecido o Mapa do DF)
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Curiosamente, “aos 55 anos, o
arquiteto e urbanista Lucio Costa inventou uma cidade. Por coincidência, a
invenção faz agora, dia 21 de abril, também 55 anos. A vida de Juscelino
Kubitschek, o construtor, e de Lucio Costa, o inventor, se entrelaçaram três
vezes no tempo e no espaço.
A primeira: ambos nasceram no mesmo ano: 1902. A
segunda foi em 1924. O jovem Lucio foi comissionado pela Sociedade Brasileira
de Belas Artes para estudar e fazer levantamentos da arquitetura da cidade de
Diamantina. Muito atento, Lucio confessou que, ao visitar, estudar e fazer
algumas aquarelas da terra natal de JK, caiu em cheio no passado no sentido
mais despojado e puro. Um passado que ele ignorava. “Diamantina foi uma
revelação!”
Será que, naquela época, Lucio Costa sabia
alguma coisa de Juscelino? Será que eles, ainda com 24 anos, se encontraram
pelas ruas centenárias de Diamantina? Talvez sim, talvez não. Mas Diamantina o
marcou profundamente. Tanto que Lucio deixou registrado: “Mal sabia que, 30
anos depois, eu iria projetar nossa capital para um rapaz da minha idade
nascido ali”.
O terceiro entrelaçamento de vida veio, em 1956,
quando JK assumiu a Presidência da República. Mais estreitamente a partir de
1957, quando Lucio Costa ganhou o concurso para a construção de Brasília. E aí
o entrelaçamento se eternizou em colaborações, sonhos, cobranças, parcerias,
invenções, cumplicidades, utopias e realidade. Nasceu Brasília, a nova apital
do Brasil.
Há 113 anos, em 27 de fevereiro de 1902, nascia
o inventor de Brasília. Aos 55 anos, idade que Brasília completa agora, Lucio
Costa teve as bênçãos de dois personagens de primeira grandeza para realização
de seu sonho: JK e Israel Pinheiro. Assim, sob a proteção das duas referências
e acompanhado sempre pelo fiel escudeiro, Augusto Guimarães, Lucio ganhou o
mais importante cúmplice e parceiro: Oscar Niemeyer.
A parceria entre eles era mais
antiga. Vinha de 1935, quando Oscar, com 28 anos, começou a estagiar no
escritório de Lucio Costa. Em 1936, quando o escritório de Lucio foi convidado
pelo governo Getulio Vargas para ocupar o espaço do Morro do Castelo, no Rio,
com a construção do Ministério da Educação e Saúde, um grupo de profissionais,
por circunstâncias diferentes, se debruçaram no projeto. O grupo era formado
por Lucio Costa, Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Moreira, Ernani
Vasconcellos e Oscar Niemeyer.
Novos projetos vieram, como o Pavilhão do Brasil
na Feira Mundial de Nova York, em 1939. E assim, Lucio e Oscar foram
construindo uma parceria de gênios até culminar com a construção da nova
capital. Um concebeu o urbanismo, inovou com as superquadras, determinou a
volumetria espacial da cidade e plantou os espaços verdes entre os prédios a
serem edificados para dar origem à cidade parque.
O outro traduziu toda a força e a originalidade
do projeto vitorioso na beleza de prédios, palácios e monumentos. Um sabia que
podia contar com a excepcional qualidade profissional do outro. E vice-versa.
Da parceria, só podia dar no que deu. Nasceu a cidade linda, ousada,
esparramada, generosa, fotografada e filmada. Tanto que Brasília, ainda jovem —
aos 27 anos, no governo José Aparecido de Oliveira — conseguiu da Unesco a
chancela de Patrimônio Cultural da Humanidade.
E, nessa caminhada, fortalecida após março 1957
pela escolha do projeto vencedor do concurso e início da construção, Lucio
Costa e Oscar Niemeyer colecionaram muitos outros parceiros, colaboradores e
cúmplices: Israel Pinheiro, Joaquim Cardoso, Augusto Guimarães Filho, Roberto
Burle Marx, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Ernesto Silva, Bruno Giorgi,
Marianne Peretti, Maria Elisa Costa, Carlos Magalhães da Silveira, Fernando
Andrade e tantos outros. Alguns estão aí vivos para contar histórias e
rememorar um tempo difícil mas regado por muita criatividade, perseverança e
compromissos.
Nós, meros mortais brasilienses e brasileiros,
apaixonados pelas obras de Lucio e Oscar que encantam o Brasil e o mundo,
pedimos licença para entrar, como admiradores e parceiros, na caminhada de
sucesso. Nossos corações também são cúmplices na contemplação e no olhar. A
bênção, Lucio Costa!” (Silvestre Gorgulho.
Correio Braziliense. 27.2.2015).